"Jo e Tuco"

Disco Você e Eu

Você e Eu, o primeiro CD de Jo&Tuco, tem como tema a reflexão sobre as relações amorosas num estilo que mistura bossa nova e cool jazz. O repertório traz Tom Jobim, abrindo o Cd com a divertida Two Kites, Carlos Lyra na música tema do Cd, Você e Eu e na parceria com Dolores Duran em O Negócio é Amar, Paulinho da Viola com a belíssima Vela no Breu, Paulo Vanzolini em Amor de Trapo e Farrapo, Maurício Pereira em Tranqüilo, Jean e Paulo Garfunkel em Tortura Chinesa, Lupicínio Rodrigues num arranjo de contrabaixo e voz para a dramática canção Migalhas e ainda canções inéditas como a de autoria de Jo de Souza, Tanto Tempo e de Zé Henrique Martiniano, Miosótis. Há ainda a participação especial de grandes nomes da música instrumental como Leo Gandelman no sax soprano (9), Mané Silveira na flauta (3), Walmir Gil no flugelhorn (3,8), Swamy Jr. no violão (3) e Adriano Busko na bateria e percussão (3,5,7,9,10).

* Asas do Desejo foi originalmente gravada para o disco "Vida de Artista" de Roberto Freire e entrou como faixa bônus no lançamento de Você e Eu no Japão (Rip Curl Recordings/2006). Tem a participação de Claudio Celso na guitarra, Léa Freire na flauta baixo e Adriano Busko na bateira.

Two Kites

Tom Jobim

And by the way have you forgotten to say
Where you live, what’s your name, what d’you do
In case you’re free we can go you and me to the zoo
And may I ask you what d’you do with your days,
With your nights, with your time, with your life
Supose I dare to ask what are you doing tonight
In case your are free I can lend you these wings for a flight

Haven’t we met? I cant’t remember but yet
I could swear I have seen you before
But if you’re scared of my boat I can take you ashore
Or would you rather catch the wind
That blows steady and pulls to the high open sea
You are the force that irresistible might
That creates in me the power of flight
We’re kites in the sky we can fly, we can fly, we can fly, we can fly
I get a flash of your thigh like a spy in the sky
I see thy heavenly thighs in the skies, in the skies
There where the sea meets the sky you and me, you and I
(give me a moment just to finish this brew to undo the voodoo
that kept you away for so long, for so long, for so long)
Suppose I give you this rose and you give me a kiss
Suppose we take of our clothes and we plunge in the sea
And just dismiss with a kiss le petite burgeoisie

Haven’t we met? I cant’t remember but yet
I could swear I have seen you before
But if you’re scared of my boat I can take you ashore
Or would you rather catch the wind
That blows steady and pulls to the high open sea
You are the force that irresistible might
That creates in me the power of flight
We’re kites in the sky we can fly, we can fly, we can fly, we can fly
I see thy heavenly thighs in the skies, in the skies
There where the sea meets the sky you and me, you and I

Você e Eu

Carlos Lyra / Vinícius de Moraes

Podem me chamar e me pedir e me rogar
E podem mesmo falar mal
Ficar de mal que não faz mal
Podem preparar milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir melhor nem pedir
Eu não vou ir, não quero ir

E também podem me intrigar e até sorrir e até chorar
E podem mesmo imaginar o que melhor lhes parecer
Podem espalhar que eu estou cansado de viver
E que é uma pena para quem me conheceu
Eu sou mais você e eu

Tanto Tempo

Jo de Souza

Já não sei se há razão
Em falar, informar mais
Se eu sou capaz de querer
Te beijar mais
Não falar mais

Pra que tanto tempo no computador
Se já era tempo desse nosso amor

Informar, digitar
Só tocar, só beijar mais
Se eu sou capaz de querer
Não falar mais, só amar mais

Pra que tanto tempo no computador
Se já era tempo desse nosso amor

Digitar, informar
Só beijar, só amar mais

O Negócio é Amar

Carlos Lyra / Dolores Duran

Tem gente que ama e vive brigando
E depois que briga acaba voltando
Tem gente que canta porque está amando
Quem não tem amor leva a vida esperando

Uns amam pra frente e nunca se esquecem
Mas são tão pouquinhos que nem aparecem
Tem uns que são fracos e dão pra beber
Outros fazem samba e adoram sofrer

Tem apaixonado que faz serenata
Tem amor de raça e amor vira-lata
Amor com champagne, amor com cachaça
Amor nos iates, nos bancos da praça

Tem homem que briga pela bem amada
Tem mulher maluca que atura porrada
Tem quem ama tanto que até enlouquece
Tem quem dê vida por quem não merece

Amores à vista, amores à prazo
Amor ciumento que só cria caso
Tem gente que jura que não volta mais
Mas jura sabendo que não é capaz

Tem gente que escreve até poesia
E rima saudade com hipocrisia
Tem assunto à beça pra gente falar
Mas não interessa o negócio é amar

Tranquilo

Maurício Pereira

No dia em que tu partiste não me entreguei a um chilique
Tão quieta que eu me mantive
Não gritei pedindo “fique!” nem nada que identifique
Pedaços de bad trip...

No dia em que tu partiste (e isso eu nunca te disse)
Não tive deprê ou crise
Só conclui que existisse dentro da minha psique
Um carnaval alegre e outro triste

Carnaval feliz consiste em juntar beleza e chiste
Bom pra quem brinca ou assiste
Dançar lambada ou twist voando de esputinique:
Um anjo, um pajé, um cacique

Já no carnaval fudido o sujeito fica rendido
Feito um pandeiro caido
Rodando desentendido latindo um samba sentido
Que chega a ferver no ouvido

Se eu sentisse diferente olhava na minha frente
Entregue completamente
E recebia inocente como quem ganha um sorvete
O amor, num abraço quente

Mas dessa capacidade não tenho facilidade
E aos trinta anos de idade
Entendo pela metade, odeio e sei que é verdade
Que existe a dor e a saudade

Tranqüilo, rapaziada pra mim eu não quero nada
Pois em se tratando de mágoa
Eu tenho a alma lavada naquela poça encarnada
Onde a moça bebe água

Tranquilo, rapaziada, tranquilo:
Pode crer.

Migalhas

Lupicínio Rodrigues / Felisberto Martins

Quando amanheço
Sem pão e sem trabalho
Vendo no meu agasalho
Os remendos de outra cor
Nervosa, sento na ponta da mesa
Quase a morrer de tristeza
A pensar no teu amor

Eu ao teu lado
Tive fartura e carinho
Cantei qual um passarinho
Nos lagos do paraíso
Tive na vida um eterno sorriso
Infelizmente não quis
Para tornar-te um perdido e eu uma infeliz

Às vezes no auge da aflição
Lembro-me da tua casa
Não pra pedir-te perdão
Pois não é justo que eu queira ser perdoada
Sabendo ser a culpada
De toda a nossa aflição

A solidão quase me leva a loucura
De ir procurar a fartura
Que eu deixei no teu lar
Mas a chorar penso na minha tristeza
Que eu não mereço as migalhas
Que caem da tua mesa

Amor de Trapo e Farrapo

Paulo Vanzolini

Amor de trapo e farrapo
Tudo errado mas tão gostoso
De dar arrepio na espinha
Amor de galo de rinha
Amor de arrancar toco
Amor de louco contra louca
Ciúme fogo nos olhos
Beijo fogo na boca
E o coração incêndio pleno
Amor sereno, amor de raça
Amor veneno, amor cachaça
Amor debaixo d’água
Amor no meio do inferno
Amor de meter susto ao padre eterno já se vê
Só pode ser o amor de eu e você

Vela no Breu

Paulinho da Viola / Sérgio Natureza

Ama e lança chamas
Assovia quando bebe
Canta quando espanta
Mau olhado, azar e febre
Sonha colorido
Advinha em preto e branco
Anda bem vestido
De cartola e de tamanco

Dorme com um cachorro
Com um gato e um cavaquinho
Dizem lá no morro
Que fala com passarinho
Desde pequenino
Chora rindo olha pra nada
Diz que o céu é lindo
Na boca da madrugada

Sabe medicina
Aprendeu com sua avó
Analfabetina que domina como só
Plantas e outros ramos da flora medicinal
Com cento e oito anos nunca entrou num hospital
Joga capoeira
Nunca brigou com ninguém
Xepa lá na feira
Divide com quem não tem
Faz tudo o que sente
Nada do que tem é seu
Vive do presente
Acende a vela no breu

Miosótis

Zé Henrique Martiniano

Uma praia deserta pra gente nadar
Pra gente tudo
Ir até o fundo do oceano
Fundo, fundo, fundo, fundo
Muito mais

Tudo o que existe nesse universo
E o que existe de concreto
Na decoração da natureza
Do meu amor precisa ao menos mais calor

Hoje o dia está tão lindo
Mas não estou sentindo nada
Não assim a gente se separa
Para, para, para
Pena que sou normal
Sei que sou um homem mau
E não estou sentindo nada

Tortura Chinesa

Jean e Paulo Garfunkel

Chuviscando num canto do olhar
Luz molhada na pele do dia
Acordei vendo o tempo chorar
Chuva fina de lágrima fria

Chuva fina de lágrima fria
Chuviscando num canto do olhar
Luz molhada na pele do dia
Acordei vendo o tempo chorar

Gota a gota tua ausência ainda vai me afogar
E esse gosto de derrota na garganta
A saudade é uma doença que dói devagar
Dor de tortura chineza
Goteja a tristeza no mesmo lugar

No mesmo lugar
Tristeza que não para de pingar
No mesmo lugar

Asas do Desejo

Zema / Roberto Freire

Sendo gente ou sendo anjo
Ele falou em alemão
Que sobre o céu de Berlin
Ou qualquer céu do Brasil
Solidão é se conhecer todo
E não precisar de ninguém
Pra nos decifrar
Ninguém
Quando o filme acabar
Meu anjo me leva voar
Pelas patas da poesia
E me ensina a rastejar
Com as asas do desejo